sexta-feira, 16 de abril de 2010

Quinta da Estância







Depois de chegarmos na Quinta da Estância e sermos super bem recebidos pelo pessoal da administração, três monitores da fazenda escola passaram a nos acompanhar, nas atividades, previamente programadas. O Celso, o Felipe e o Carlos foram muito gentis, na condução de nossa turma.

Antes do primeiro lanche da manhã, na verdade um café muito gostoso, como diria meu sobrinho Gabriel, fomos tirar uma espécie de foto oficial da visita, pois, a previsão era de chuva que, felizmente, não se confirmou. Tiramos uma foto de manhã, com céu nublado e outra, à tarde, com sol.

Depois da foto inaugural, fomos visitar as cabanas indígenas, de onde saímos para fazer a primeira refeição matinal, onde o pessoal se fartou. Ouvi diserem, com entusiasmo que foi o "melhor café coletivo de todo curso". Que saudade do tempo que tínhamos os ranchos na BM. Foi um golpe abaixo da cintura da Brigada, sua extinção no Governo Britto.

Depois do café. Fomos passear pela Estância. Fizemos a "trilha dos macacos". A turma se encantou com os primatas. Super simpáticos! Até pareciam gente. Muito hospitaleiros. Depois botamos o "pé na água". Andamos por uma trilha, dentro d'água, depois de tirar o coturno por sugestão do guia. Uma delícia! O tempo passou muito rápido. Chegou a hora do almoço e o pessoal se fartou de novo, com uma comida caseira e galeto bem saboroso. Houve quem reclamasse que não aguentava mais comer galinha no curso! Não resisti e prometi um churrasco para a turma. Merecem.

À tarde, liberados do uso do uniforme, se soltaram ainda mais. Viraram crianças, como ouvi uma aluna comentar. Foram jogar futebol, praticar os "esportes radicais" da Quinta, numa pista aérea "tri legal", como diria aquele gaúcho bigodudo, famoso. ainda houve, os que andaram de "carrinho de lomba" e tivessem coragem de mergulhar na piscina, apesar do frio.

No final do passeio, todos estavam muito felizes. Dava gosto de ver.

Fotos: Gilberto Boeira.

Quinta da Estância Grande






Ontem visitamos a Quinta da Estância Grande, em Viamão. Saímos cedinho do batalhão. Sete da manhã entramos em forma, conversamos um pouco e embarcamos nos ônibus da BM.

Oito e meia em ponto chegamos na Quinta. O passeio foi super hiper big mega divertido, como diria aquele personagem do desenho animado, chamado Tigrão!

Os alunos foram se soltando aos poucos, curtindo a beleza do lugar. Natureza preservada, muito ar puro e espaço para caminhar, sombra e água fresca. Mereciam, depois de um curso que apesar de curto, apenas seis meses, já foi de quase um ano, exigiu muito esforço físico, mental e espiritual de todos formandos.

Dava gosto de ver o pessoal se divertindo. Seus corpos pareciam mais leves. O ambiente de quartel é carregado de responsabilidades e cobranças. O PM pratica pouco lazer. É um deficit que precisa ser atenuado com programas do tipo que fizemos, com resultados comprovados. Uma boa higiene mental atenua a carga que comprime a cabeça de um soldado que só é chamado para resolver broncas. Retorna do passeio mais compenetrado na missão de policiamento que deve executar.

O pessoal da Quinta da Estância está de parabéns pela sua organização e hospitalidade. Não é a toa que, em breve devem atingir a marca de 100 mil estudantes que os visitam anualmente.

Fotos, cortesia: Gilberto Boeira.

terça-feira, 30 de março de 2010

Você tem coragem para matar golfinhos?



Os japoneses, em Taiji, têm.

Por sugestão da minha filha Natália, 13 anos, assisti esse documentário hoje. Dizer que fiquei chocado, não expressa todo sentimento de contrariedade e tristeza que invadiram meu coração. The Cove, mostra a matança de golfinhos no Japão.

Durante toda minha vida, até hoje, sempre admirei o Japão, por sua cultura e educação. Não vou culpar toda a nação japonesa pela vergonha que Taiji, província onde os golfinhos são assassinados, imputou a moral do povo japonês, em minha opinião.

Responsabilizo o governo de tão poderosa nação. São culpados o prefeito da cidade, os vereadores, os pescadores da região e todos os japoneses responsáveis por essa brutalidade e todos aqueles que a ignoram.

São hilárias as explicações dadas pelas autoridades locais, coniventes com o ato absurdo dos pescadores de Taiji, inclusive a polícia, para tentar justificar a matança. Uma delas, aliás, a mais estapafúrdia possível, é definirem os golfinhos e as baleias como "uma praga", por comerem peixes demais no oceano. Não é brindadeira não, está lá no documentário.

A matança dos mamíferos inteligentes, ato hediondo, mancha, vergonhosamente, sua bandeira. Transformam, seu sol nascente, num mundo de trevas, cada vez que arpoam um golfinho, em sua bahia sangüinária.

O documentário foi brilhantemente idealizado e produzido, em 2009, por Louie Psihoyos, Fisher Stevens e O’Barry Richard. Ganhou o Oscar de melhor documentário, em 2010.

The Cove, o filme original.

Major Medina.

quinta-feira, 4 de março de 2010

A polêmica dos aumentos salariais na BM.


Ao abrir meu e-mail pessoal, hoje à tarde, deparei-me com várias mensagens de fontes brigadianas diversas, tratando de uma polêmica estabelecida com um pacote de aumento salarial de soldados e oficiais superiores da BM, gestado pelo atual Governo do Estado do RS, nos últimos três meses.

Lamento ler nessas mensagens, uma contundente divisão entre oficiais e praças da BM. Penso que toda essa discórdia e divisão tem sua origem no Governo Collares (1991-1994). E digo isso, não com o intuito de criticar o governador Alceu Collares, para mim, um homem de bem. Penso que foi mal assessorado quando levaram-lhe a idéia de aumentar somente o salário dos oficiais superiores da BM, quando saiu a merecida isonomia salarial entre delegados de polícia e os promotores de Justiça do Estado, na época. Aos oficiais superiores da BM foi estendido o benefício dessa isonomia. O resto da tropa ficou de fora. Ali se quebrou histórico princípio da verticalidade, na BM, ou seja, a partir do salário de coronel da BM, todos os salários dos demais postos e graduações eram indexados a este salário, recebendo um percentual do salário do coronel.

Na época, a BM tinha uma disciplina mais forte e os protestos foram comedidos e silenciosos dentro da corporação.

A partir daí a coisa foi só piorando, com a ausência de uma política permanente de Estado, na área de segurança pública. Os anos se passaram e a BM ficou com o título que ostenta hoje, dos salários de polícia mais baixos do Brasil. Alguns governantes do nosso querido RS, agravaram a situação, dando aumentos diferenciados para soldados, sargentos, tenentes, capitães e oficiais superiores. Aumentaram assim, a cizânia entre os postos e as graduações.

Desde 1991, nunca deveríamos ter permitido aumentos diferenciados. O mesmo percentual de reajuste concedido pelo Governo ao soldado, deveria ter chegado ao coronel. O mesmo percentual de aumento concedido ao coronel, deveria ter chegado ao soldado.

Onde vamos parar? Sinceramente, não sei. Lamentavelmente, alguns governantes improvizaram na matéria da segurança pública. Não tiveram o devido respeito com a sociedade, nesta área de vital importância para a saúde do Estado e, não tiveram respeito também com o próprio policial, seja ele, militar, civil, perito criminalistico ou agente penitenciário.

Fica o desejo de união. União entre oficiais e praças para que superem este momento difícil de nossa história policial militar, com o devido respeito entre si.

Major Aroldo Medina - 25 anos de serviço ativo na BM.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A faxina faz parte da formação do aluno



Quando ingressei na BM, em 1986, depois do campo de adaptação a nova vida militar, realizado no entorno da lagoa Suzana, em Cidreira (RS), de volta a Academia de Polícia Militar, em Porto Alegre, ganhei uma função extra, além de ser cadete da BM. A função de faxineiro de plantão permanente. Aliás, não foi privilégio só meu, todos os "bixos" ganharam a honrosa função de manter a limpeza do quartel.

Cada um de nós tinha fixo um box de banheiro e uma janelona de vidro para limpar. No intervalo das aulas corriamos para ver se o box estava limpo e se alguma mosca desavisada não tinha escolhido a janela da responsabilidade do aluno para, justo nela, fazer suas necessidades. Era engraçada essa parte do dia. Vivíamos com um paninho no bolso para "encobrir as evidências".

E é claro que também fazíamos "cricri". Para quem não serviu, a tradução de cricri é capinar, catar ou mesmo arrancar a grama ou as ervas que nascem entre os paralelepipedos do calçamento de uma rua.

Éramos bem prendados. Fazíamos faxina, lavávamos a própria roupa (quem não tinha a mãe por perto), passávamos, costurávamos. A cama era rigorosamente bem arrumada. O armário impecável. Não cozinhávamos porque naquela época, a Brigada ainda tinha rancho. Que alívio! Hoje os alunos não tem mais essa "regalia". Comem bolachinhas, banana guardada no armário (quando tem armário), além de outras frutas e guloseimas engordantes, porque o senhor Antonio Britto, por volta de 1995, mandou acabar com os ranchos na BM.

Vendo os alunos dando vida ao batalhão, além de estudar muito, fazendo faxina nos corredores do 9º BPM, viajei no tempo. Lembrei do meu tempo de aluno. Bons tempos que não voltam mais. A gente passa dificuldades. Conta o tempo rigorosamente para terminar logo o curso, porque é uma carga de estudo e trabalho puxada, muito cansativa. Mas depois que ele acaba, no dia seguinte, a gente já sente saudade que só vai aumentando com o passar dos anos.

Texto: major Aroldo Medina, 25 anos de BM.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Resultado do Exame de História da BM






Muito bom resultado!

Creio que atingimos o objetivo de assimilarmos um pouco da história da Brigada Militar que funde-se e, não confunde-se, com a história do Brasil e do RS.

Além desse objetivo alcançado, embora a carga horária seja muito pequena, ao meu ver, apenas 20 horas aula, deveriam ser, no mínimo 30 horas, despertamos a consciência de que fazemos parte ativa dessa história, nos dias de hoje. Somos a consequência desse processo gigante de acontecimentos que forma a Instituição que servimos e a sociedade em que vivemos.

Também apreendemos que não podemos ficar alheios aos acontecimentos políticos. A história é recheada de ações e decisões certas ou erradas para aqueles que delegamos o Poder Político.

Quero, por fim, agradecer a todos os alunos que tive a honra de conviver por apenas dois meses, pelo grande aprendizado que me possibilitaram também.

Embora curta temporada estivemos juntos, levarei em minha memória o que gravaram em meu coração: são jovens brasileiros que devem orgulhar o Brasil pelos seus valores pessoais e morais que dignificam a Brigada Militar e, podem servir de exemplo para milhares de outros jovens da sua idade.

Meu agradecimento vai também ao Comando do 9º Batalhão de Polícia Militar, na pessoa do seu comandante, tenente-coronel Alfeu Freitas Moreira e do sub-comandante, major Andre Luis Woloszyn pela deferência e gentileza desses nobres oficiais, em permitir que eu desse aula aos alunos da sua conceituada Unidade Operacional da BM.

Este reconhecimento é extensivo a todo grupo de coordenação pedagógica e disciplina do batalhão que tem-se constituído exemplo de paradigma policial militar na formação dos alunos.

Sigo minha caminhada, pedindo a DEUS que nos ilumine e proteja a todos e, ainda me conceda a graça de poder realizar um sonho que estes jovens plantaram em mim. O desejo de escrever um livro sobre suas vidas como SOLDADOS DA BRIGADA MILITAR.

Um forte e cordial abraço a todos e a todas,

Major Aroldo Medina.

Redações em destaque - continuação.






Em curto espaço de tempo, pouco mais de três meses de curso, os alunos já demonstram compreender e internalizar valores de nossa cultura organizacional e ainda demonstram bastante compreensão das dificuldades enfrentadas na profissão.